"Central Nico" (blog semi-parasita)

sexta-feira, março 06, 2009

versinho número 1 - Mallu Magalhães

terça-feira, maio 06, 2008

Universo Por Desporto

Num Universo paralelo, onde por acaso existe um planeta muito semelhante a este, talvez mesmo igual, onde por sua vez há seres iguais aos humanos e, por acaso, também fazem desporto e organizam Jogos Olímpicos, há atletas que amam tanto o desporto que praticam, que estariam dispostos a abdicar de participar nos Jogos em favor de uma causa maior (estando garantido que essa ausência não poria em causa o seu amor pelo desporto e a possibilidade de o continuar a praticar).
Atletas assim fazem falta ao nosso Universo!

sexta-feira, abril 18, 2008

Acordo Ortográfico

No programa “Prós e Contras” na RTP1, Carlos Reis responde ao argumento, de Vasco Graça Moura, de que o "acordo" viria trazer ambiguidades (como, por exemplo, nas propostas palavras "fato" e "interseção") dizendo que JÁ EXISTEM AMBIGUIDADES NA NOSSA VARIANTE DA LÍNGUA PORTUGUESA.
Tudo bem. É verdade. Já existem ambiguidades e excepções à regra.
Mas então? Essas ambiguidades são ou não uma dificuldade para a aprendizagem e compreensão da língua?
São dificuldades! Especialmente se cada falante quiser saber TODAS as regras, ou escrever apenas sustentado nelas e não através do conhecimento de cor (de coeur, de coração) da sua língua.
O facto de JÁ existirem algumas dificuldades/ ambiguidades justifica que a elas se acrescente mais???
Claro que não!

(Está muito na moda este baixar da bitola ao nível das imperfeições da realidade: A lei deve submeter-se à realidade, ao que as pessoas de facto, e ‘na prática’, fazem. Chamam a isto realismo ou pragmatismo. Mas nem sequer pragmatismo é. O pragmatismo pode ser uma boa característica em alguns momentos. E menos ainda será realismo, ou uma observação da realidade total, já que se tratam normalmente de excepções. É uma condescendência completa com a imperfeição, com o que está mal, abdicando assim da valorização do bem.“JÁ há pessoas que fazem abortos, por isso mais vale legalizar.”)

"Já há ambiguidades..." e ninguém implica com elas, ninguém nota, mais algumas não vão fazer mal e a vida, a escrever, torna-se mais fácil (podíamos acrescentar na mesma linha de pensamento).
Acho que seria precisamente esse o argumento para não se fazer o acordo.
Se fosse uma reforma para regular e clarificar melhor as tais ambiguidades JÁ existentes eu ainda percebia o propósito. Assim não.

Quer-se simplificar a ortografia, mas ao fazê-lo está-se também a simplificar os significados e, mais ainda, o sentido. Argumentando que o ganho da simplificação da ortografia é maior que a perda da precisão semântica. Ora a precisão semântica, a comunicação, é o propósito da língua, portanto, a ortografia devia estar ao seu serviço.

Acho que uma língua, e o seu corpo, tal como uma sociedade (a que eu desejo) deve ser o mais inclusiva e rica possível.
Deve crescer.
As mudanças previstas excluem diferenças, letras, sinais, cuja presença se justifica perfeitamente.

terça-feira, março 18, 2008

Jesus Cristo Ressuscitado: "Tão natural como a sua sede"

Para não acreditar também é preciso ter (ou ser-se de) fé. Tanta como para acreditar, mas é uma fé no vazio de sentido ou no caos.
As pessoas têm sempre fé em alguma coisa. Varia na intensidade e no objecto dessa fé: Deus ou outra coisa qualquer.

Se pensarmos bem nas coisas que damos como adquiridas e as analisarmos em pormenor, ou com os melhores e mais profundos conhecimentos, chegamos a um ponto em que as coisas simplesmente acontecem como que por magia ou milagre.
Então... como se pode considerar normal a existência de vida, o facto de as coisas simplesmente existirem coesas (ainda que, por vezes, só por alguns instantes), e achar sobrenatural a existência/ essência de Deus?

A fé necessária para acreditar em Deus ou para não acreditar é a mesma. Nasce perante o mesmo espanto: "Como é que é possível!?!?"
Só que uns tendem mais a perguntar maravilhados "Como é que é possível a existência, a vida?" e outros "Como é possível a existência de Deus?".
Em retrospectiva, observo que das vezes que questionei a possibilidade da existência de Deus, concerteza muitas delas, a ideia ou pensamento subjacente e subconsciente não foi mais que: “Se eu não sou Deus, se eu não posso atingir a divindade... como é que alguém pode?”.
Ou seja, terão sido momentos em que concebi tudo o que existe, à luz da minha percepção ou ego. Como se não bastasse (estar virado para mim e não para o todo) terão sido alturas em que sustento toda a minha percepção naquilo que já fui e não naquilo que sou na totalidade (que inclui também aquilo que posso ou quero ser).

Para mim é lógico pensar: "Se a vida, e tudo o que conheço, é possível, então porque não há-de ser também Deus? E se Deus é Deus (ou seja, todo poderoso) é um Deus-Amor (nada é mais exigente que o Amor), porque não há de ser capaz de incarnar, ser homem, amar, sofrer, morrer e ressuscitar? É porventura isso mais estranho que o meu respirar ou pensar, ou que o facto de eu pura e simplesmente não me dissolver de um momento para o outro?

Estou infinita e eternamente ligado a tudo o que existe e para isso não há percepção que chegue, nem para provar que Deus existe, nem para provar que Deus não existe.

Uma fé apenas naquilo que se percebe é uma fé que engana.

sábado, fevereiro 02, 2008

Rollins Band "Liar"

Sonic Youth "Do You Believe in Rapture"

Broken Social Scene "Almost Crimes"

Travis "More than us"

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Pavement "Stereo"

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Nada Surf "Blonde on Blonde"

quarta-feira, outubro 10, 2007

..."de pequenina se cultiva a ruindade" em Bad girls go everywhere


Numa "conversa" agora com alguém, lembrei-me de uma lição de vida (bruta, como se impõe), que eu dei (acho que dei) ao meu pai, tinha eu os meus quinze anos...
Como poderão imaginar, eu sempre fui uma pessoa relativamente (eheh) difícil de aturar. Para todos os que me rodeiam. Inclusiva e principalmente para os meus pais.
As discussões com a minha mãe por "dá cá aquela palha" eram constantes na adolescência. Meio minuto depois estava tudo bem.
Zanguei-me com o meu pai umas quatro ou cinco vezes na vida. Zangas sérias. Levadas a peito. Marcadas a fogo.
Ora uma dessas vezes, estava eu a sair para as aulas, e tivemos uma discussão sei lá sobre o quê. A intensidade foi tal que o meu pai, levado ao limite (ah, como eu consigo estas coisas!...), me diz algo parecido com:- Tu és perfeitamente impossível. Já não consigo aturar-te!
Magoada, doída, olhos quase a rebentar de lágrimas, olho para ele, e digo:
- Eu vou sair por aquela porta. Imagina que, a caminho das aulas, sou atropelada ou tenho um acidente. Essas seriam as últimas coisas que me disseste. É isso que queres?
Fatalista, dramática, má... como convém.
Ainda hoje o meu pai "usa" isso contra mim. E eu tento sempre seguir a minha própria "lição de vida".

Mais um com a chancela de Bad Girl às
12:02 AM 7 Pessoas interessantes e com extremo bom gosto já deram a sua opinião




n disse...

Eu também tento seguir essa lição de vida. Já não pelo medo que seja a última coisa que se diz, mas pelo que significa fazer isso: que quando estamos a ferver dizemos coisas que não são de todo verdade, perdendo totalmente a capacidade de inverter aquilo com o qual não estamos satisfeitos, o que nos permitiria fazer o que no fundo mais desejamos.
Fazemos o contrário daquilo que desejamos.
No fundo, uma fúria qualquer, significa que existe uma divisão interior muito grande. Essa divisão interior é que é responsável pela fúria e não, neste caso, tu com os teus 15 aninhos.
O teu pai exteriorizou e extrapolou, para a situação contigo, a divisão interior que tinha, provocando uma resposta contrária àquilo que ele realmente sentia em relação a ti.

Quando estamos bem, face às adversidades ou coisas que achamos que estão mal, reagimos com serenidade, o que não impede a firmeza. Conseguir fazer isso chama-se ser assertivo.

10/10/07 1:02 AM



n disse...

Pode parecer chantagem emocional, mas na minha opinião não é.
Há coisas que um responsável pela educação, e último depositário da confiança, de um filho simplesmente não pode dizer, pois fere irreversivelmente a relação e a confiança que é mais estrutural numa pessoa.
Os pais são irremediavelmente cúmplices do comportamento dos filhos, pois são os seus modelos fundamentais.
Os filhos imitam os comportamentos dos pais desde que nascem.
Uma negação do reconhecimento do filho deste género "já não consigo aturar-te" pode comparar-se a uma traição, num grupo de cúmplices num mesmo crime, com o intuito de salvar a pele.

10/10/07 3:44 PM

Fé e Vida Eterna no Só Dizer

28 de Setembro de 2007

Se um dia se aumentar a esperança de vida de tal maneira que ela passe a ser eterna, isso vai ser uma prova de fé para quem acredita na vida eterna espiritual... largar a vida eterna biológica que se tem por certa, pela vida eterna espiritual em que se acredita! Comentários são bem vindos, não me deixem sozinho com esta :)

Publicada por other em 12:05 AM 10 comentários

https://www.blogger.com/comment.g?blogID=2270441133620317951&postID=7603286077050008580




n disse...

Boa questão! Para quem tem medo da morte ou para quem a fé depende do temor da morte biológica e da não confirmação da vida eterna.
Acho que a fé deve estar assente em princípios e não nas consequências, senão seria um negócio: "eu acredito e sigo-Te e Tu dás-me a vida eterna." Nãaa.
Além de que continuariam a haver infinitas coisas que nos transcenderiam cuja dimensão e incompreensão ocupariam a mesma importância e lugar que o desconhecimento do para-além-da-morte-biológica.
(Tu próprio comentavas um dia destes, e eu concordei, que o tema da morte anda a ser muito mais falado e por isso encarado com maior normalidade. Ao longo da história o valor e a importância da vida e o "peso" da morte variou, concerteza, imenso.)
A fé na ressureição é um problema que se põe imenso na vida do dia-a-dia connosco, VIVOS ou mais-ou-menos nem por isso.

29/9/07 11:44 AM



n disse...

Acho que o que queria dizer se pode traduzir nisto: parte da vida eterna espiritual poderá ser vivida já na vida biológica (em simultâneo), não é preciso esperar que a vida biológica se acabe.
E mais, supondo que existe para cada pessoa uma vida eterna, nela, logicamente, estará incluída a vida biológica. Pois se Deus é Deus e se é Amor, redimirá as partes que nós consideramos menos boas da nossa vida biológica e tudo estará incluído na vida indivisível de cada um. Essa vida se tem uma parte biológica ou não, não é relevante ou significativo, pois a biologia não impede a, não é contrária à, eternidade.

7/10/07 3:11 AM

Deee-Lite - Groove Is In The Heart (Video Version)

terça-feira, setembro 25, 2007

Hello Tomorrow

g

sábado, setembro 22, 2007

Pensamento do dia - no Bad girls go everywhere

Acabadinho de sair. Pena que quase toda a gente já foi embora e poucos tiveram oportunidade de ser brindados com este:
"Há pessoas que têm tanto medo de errar que raramente acertam..."

Bad, a inspirada
n disse...
É muito verdade o que dizes, a lotaria nunca sai a quem não joga. Mas também não é mentira que há pessoas que têm tanto medo de acertar que quase sempre "erram".
21/9/07 8:24 PM

n disse...
We've got to learn the ways of our complementar personality.
21/9/07 8:33 PM

segunda-feira, setembro 17, 2007

Como será o Messias que os judeus ainda esperam?
Salva como? E de quê?
Salva quem?

segunda-feira, agosto 13, 2007

The velvet underground - Femme fatale (live)

Banda fundadora de muito do que gosto de ouvir hoje.
A minha homónima preferida! (e não é por ser a única que conheço!)
E a música... oiçam.

terça-feira, agosto 07, 2007

All is full of love

Ouvi um dia destes no rádio do carro e ...

segunda-feira, agosto 06, 2007

...a minha prenda, eu quero que seja...

O melhor presente:
A presença.
(Com gratidão pelo passado e esperança de futuro.)

sábado, julho 14, 2007

"Dúvida" - em Do outro lado do espelho

"Dúvida"

[Photo]
Pequena perguntinha:
Porque é que se um rapaz anda com várias raparigas é um garanhão e se uma rapariga faz o mesmo é uma "puta"?
Não falo (de todo) por experiência própria, não me sinto directamente afectada, mas é uma coisa que não compreendo.
Explicações?

publicada por coelho_branco às 17:33 a 7/Jul/2007


https://www.blogger.com/comment.g?blogID=1178096170828647641&postID=6560446179425589576




n disse...

Acho engraçado, ainda noutro dia teorizei sobre o assunto, só que apenas oralmente. Ora bem! Eheh. (Isto poderá ser longo)

Em primeiro lugar concordo com a T, acho que está a mudar, já não é tanto assim.
Um homem que ande com várias raparigas ou que passe a vida a curtir começa a ser encarado como “porco”, boémio ou pouco sério. E já se encara com alguma normalidade uma rapariga que namore muito. Uma namoradeira.
Ter várias relações ao mesmo tempo acho que não é muito aceite para nenhum dos géneros mas, acontecendo, as pessoas consideram mais expectável por parte dos rapazes do que por parte das raparigas.

A resposta imediata seria: “Um rapaz se anda com várias raparigas é um garanhão e uma rapariga que anda com vários rapazes é uma ‘puta’.” porque vivemos numa sociedade ainda machista, que descende de uma tradição fortemente patriarcal. A pergunta que então se põe (ou que me pus) é:
Por que é que, regra geral, as sociedades são patriarcais? (foi isto que andei a pensar há pouco tempo, mas a partir de uma observação diferente)

Comecei por reparar que, REGRA GERAL, as raparigas a partir de uma certa idade (que não vou definir porque pode variar consoante a pessoa e pode não ter a ver só com a idade, mas também com a maturidade ou consciência do seu prazo de fertilidade) ficam bastante mais disponíveis, predispostas para terem uma relação “amorosa” com um rapaz. Diria até, mais determinadas e resolutas a fazê-lo. Em alguma medida com bastante pragmatismo. Ou seja, independentemente do rapaz estar longe de corresponder aos seus ideais de príncipe perfeito da adolescência. Fazendo, inconscientemente (digo eu), concessões que nem a própria pessoa imaginaria alguns anos antes, nem os seus amigos (especialmente os rapazes) compreendem.

A pressão biológica, para se poder ser mãe, é um facto, que até é assumido (pelo menos por algumas amigas minhas). Imaginar que se possa agir sob pressão nestes assuntos fez-me imensa impressão e fez-me pensar no assunto.

Lembrei-me de a minha mãe (que é médica), há muitos anos, me explicar que é natural (não desejável e não incontornável) os homens serem mais “malandros” do que as mulheres, visto estarem biologicamente preparados para procriar todos os dias, em tese. Enquanto as mulheres, além dos períodos das ovulações, quando engravidam, ficam 9 meses ocupadas com essa gravidez não podendo gerar outros filhos. A minha mãe não quis de maneira nenhuma desculpabilizar os homens pela sua mulherenguice, apenas quis explicar que é um facto, à partida, um homem estar numa situação de maior poder. Como se sabe, o poder pode ser bem ou mal exercido.

Todo o ser humano, tanto o homem como a mulher, procura a mesma coisa. A sua própria “eternização”. E depois usa o seu instinto, ou a sua cultura (poder-se-á dizer que a cultura faz parte do instinto humano), como meio de a alcançar.
Se fossemos animais, a eternização far-se-ia apenas através do legado genético.
Apesar de toda a importância da cultura, que nos diferencia no reino animal, penso que os seres humanos são muito mais regidos pelos seus instintos animais do que pensam. Logo a influência da capacidade procriativa não deve ser subestimada.
Além do que já disse anteriormente sobre a frequência de fertilidade de cada género, há que acrescentar o tempo de vida em que essa frequência funciona.
Um homem pode procriar desde a sua primeira ejaculação até à sua velhice. Digamos, a título de exemplo, durante 55 anos. Na maior parte dos quais poderá fazê-lo quase diariamente. Vou supor que esse homem procriava apenas duas vezes por semana. Ao fim de 55 anos ficaria com 5720 filhos.
Por outro lado, vamos supor que o tempo fértil das mulheres vai dos 15 aos 45 anos, ou seja, 30 anos de tempo fértil. Se passassem esses 30 anos sempre a engravidar sucessivamente poderiam ter 40 gravidezes, o que daria para 120 filhos se tivessem sempre trigémeos (o que é biologicamente muito improvável).
De 120 (na melhor das hipóteses biológicas) para 5720 (numa hipótese biologicamente plausível), vai uma enoooorme distância.

O que os homens têm em poder/ liberdade (de tempo e, por isso, também de escolha) as mulheres têm/compensam em dedicação/responsabilidade em relação aos filhos (a sua arma é proporcionar melhores condições de crescimento aos seus filhos do que as suas competidoras – as outras com as quais o “seu” homem também se pode meter - proporcionam aos delas).

Estamos, apenas e só, numa sociedade patriarcal porque tem sido mais valorizado o valor da liberdade do que o valor da responsabilidade. A partir disto fico a pensar que o “machismo” não terá sido só um comportamento em que os homens se impõem pelo facto de serem mais fortes, mas também um comportamento no qual participam as mulheres. É em grande medida consentido. Uma arma escondida para “agarrar” o homem. Portanto a “submissão” das mulheres, poderá ser muitas vezes fictícia. Sabemos isto também pelo senso comum. Diz-se muito, apesar de se considerar que vivemos numa sociedade patriarcal, “por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher”; e dizem os homens muitas vezes “a minha patroa...”, não será por acaso.

Onde podemos chegar com tudo isto?
Eu concluo, mesmo com a falta de competência para comunicar as impressões e sentimentos que tenho, de forma mais rigorosa e objectiva, que:
o grande desafio que se põe às mulheres é o desafio da liberdade, as mulheres são chamadas a ser livres, a fazer escolhas mais livres; e o grande desafio que se coloca ao homens é o desafio da responsabilidade, os homens são chamados a ser responsáveis.
É óbvio que todos devem aspirar a ambas as virtudes, mas acho que a questão de género tende a diferenciar na respectiva capacidade de alcance de cada uma.
Por fim, a interdependência ou complementaridade. Liberdade sem responsabilidade é libertinagem e responsabilidade sem liberdade é rigidez.
Neste aspecto sou muito optimista, acho que (como dizia no início) se tem evoluído no sentido de um maior equilíbrio entre estes dois valores.
Liberdade e Responsabilidade.
Por isto é que um casamento é uma coisa tão bonita. Porque os dois valores se encontram, combinam e materializam Humanidade. Nos valores, mas também literal e biologicamente: quando nascem crianças.

Se o que nos diferencia no reino animal é a razão ou a cultura, ainda que não deixemos de ser animais, podemos concretizar a nossa humanidade deixando um legado (o que nos eterniza) cultural tão ou mais válido que o biológico. Isto para ressalvar que, apesar de o casamento ser uma coisa bonita, ficar solteiro (ou consagrado) não é menos bonito. Nem é comparável.
A beleza não está nas escolhas, mas na atitude com que se vive aquilo que se é. Com liberdade e responsabilidade, por exemplo, que são excelentes critérios de humanidade.

Para quem é crente, a eternidade vem pelo Amor (ou sabendo-se amado, por Deus). O amor é um critério de eternidade. Quando se ama é algo que fica para sempre.
No amor estão incluídos todos os valores que ajudam a eternizar, entre eles, obviamente também, a liberdade e a responsabilidade.

Bom! Desculpa lá o testamento, mas tinha que escrever estas coisas. Bjs.

sábado, junho 23, 2007

Sabotage - Beastie Boys

Se este Vídeo-Clip não foi responsável pelo curso que a moda tem seguido, pelo menos teve bastante influência. Juntamente com os filmes do Tarantino, claro!

segunda-feira, junho 18, 2007

O meu anúncio preferido (até agora!)

Obrigado M por me teres descoberto este anúncio que já não via provavelmente desde 1999.

O realizador é o Michel Gondry, o mesmo que realizou o filme "Eternal Sunshine of the Spotless Mind". A música chama-se "Asleep From Day", é dos Chemical Brothers, tem a participação da voz da Hope Sandoval (Ex- Mazzy Star).

Obrigado Coelho Branco por me ensinares a pôr vídeos (ainda que n tenha sido fácil, eheh)

terça-feira, junho 12, 2007

"Desenvolvimento"

Envolvimento no bem.

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sexta-feira, junho 01, 2007

Ser padre - no Toques de Deus

Ser padre

13 Comments
Publicado por nuno branco, sj em Sábado, Maio 26, 2007 Ã s 00:14.
Celebração penitencial para os miúdos do sétimo ano que se preparam para a profissão de fé. Vinte e uma hora e alguns minutos. Ó Nuno – perguntou um deles mal que chegou – vamos ter missa agora? Não, não é missa – expliquei-lhe. É uma oração para nos prepararmos para amanhã e haverá confissões para quem quiser. Estavam entusiasmados com a festa. Eles e os pais. É nestas alturas que o meu coração sente um aperto. Adorava poder ser padre e estar ali nas confissões, a ouvi-los. Começara a oração, músicas belíssimas, violas, os miúdos agarrados aos papéis, a fazer barulho, a cantar e a fazer barulho. Depois de algumas explicações, quem sentisse necessidade tinha ali uma oportunidade para se reencontrar com Deus. E pedir desculpa. Os padres lá estavam espalhados pela igreja, disponíveis. Levantei-me para ver se era preciso alguma coisa. Não era. Sentei-me. Entretanto aproximou-se uma miúda toda contente. Nunooo – disse-me com um enorme sorriso – gostava de me confessar a ti, tu já podes confessar? Naqueles segundos apeteceu-me chorar. Segurou-me no braço. Podes, não podes? Sorri-lhe com um abraço. Oh ainda não, ainda me falta bastante tempo – disse-lhe. Mas olha, há aqui padres fixes, olha ali. A miúda saiu toda contente para se confessar. Entretanto, nos segundos seguintes, experimentei uma alegria enorme por um dia poder ser padre. Passei a noite em silêncio a agradecer. Mas foi mesmo bom. No final, a mesma miúda disse-me. Ó Nuno então quando eu tiver no décimo segundo ano não te esqueças de vir ao bar do colégio para me confessares, ok? E despediu-se com um beijinho.




n Sexta-feira, 01 Junho, 2007

Não interessa tanto quem perdoa, interessa é que a pessoa se sinta perdoada. Mas, se eu vou falar com um padre, não é porque quero uma paz psicológica, não é porque me quero sentir compreendido por alguém (também pode ser e na maior parte das vezes, quando os padres-pessoa são porreiros, mas não é isso que faz a diferença), para isso uma conversa com um amigo e o arrependimento bastariam. Se eu vou falar com um padre é porque ele é uma pessoa consagrada, dá corpo a Jesus, é como se fosse uma hóstia (consagrada) falante eheh. Como se estivéssemos a ter uma relação directa com Jesus, mas num momento diferente da Paixão e Morte. Uma relação directa com Jesus num momento em que nos lava os pés, por exemplo.
Por isso é que, para a reconciliação espiritual, não interessa que padre escolhemos.
O que acontece é que normalmente se recorre aos padres para mais do que reconciliações espirituais. O que também é normal porque o nosso espírito não está separado de qualquer outro aspecto do nosso ser.
Se não acreditarmos nisto, então o ir falar com um padre não tem mais sentido do que falar com um amigo. Isto só me faz confusão na medida da fraqueza da minha fé.
Abraços

sexta-feira, maio 25, 2007

Eutanásia

Quarta-feira, 23 de Maio de 2007

Direito a morrer com dignidade

É assim que muitos doentes crónicos se referem à eutanásia. A propósito de um trabalho para a faculdade, descobri muito sobre a eutanásia que desconhecia, li histórias reais, arrepiei-me, senti um pouco da dor das familias e dos pacientes.
Define-se a eutanásia como um procedimento que antecipa a morte de um doente incurável, para lhe evitar o prolongamento do sofrimento e da dor. Existem dois tipos de eutanásia: a activa e a passiva. A activa é negociada entre o doente e o médico, enquanto que na passiva a morte não é imediatamente provocada, mas são interrompidos todos os cuidados médicos e quaisquer medicamentos, o que leva à morte do paciente.
Ramon Sampedro, um conhecido espanhol que lutou incessantemente pela eutanásia, pôs fim à sua vida em 1998, após ter estado tetraplégico durante 29 anos. Planejou a sua morte com os amigos cautelosamente, de forma a que nao se pudesse incriminar quem o ajudou. A amiga que o encontrou morto foi incriminada pela policia, mas foi gerado um movimento mundial de milhares de pessoas que "confessavam" ter ajudado Ramon, pelo que esta foi ilibada.
James Haig, um britânico também tetraplégico, pôs fim à sua vida pegando fogo a si próprio, já que não lhe foi permitida a eutanásia.
Independentemente da forma de Eutanásia praticada, seja ela legalizada ou não, é considerada como um assunto controverso. No nosso país, por exemplo, não é muito bem aceite, devido a toda uma crença (na minha opinião exagerada) nos ideias da Igreja.
Arrepiei.me, e muito, a ler excertos do livro "Cartas desde el infierno", escrito pelo espanhol que apenas quis parar de sofrer e ter uma morte digna. Tem-me incomodado o sono e arrepia-me só de pensar o sofrimento que devem passar, sem terem direito a parar de sofrer. Após toda esta pesquisa acredito que cada pessoa tem direito a decidir se quer ou não viver preso a uma cama para o resto da vida, muitas vezes num sofrimento extremo. São muitas vezes "cérebros vivos em corpos mortos" (palavras de Ramón Sampedro), dizem que perdem toda a dignidade e que são um peso para a familia. Eu acredito. Poucas coisas devem ser piores do que saber que se vai viver num profundo sofrimento, imóvel até à morte. Estar-se morto antes da morte.
Não sei se seria capaz de decidir a eutanásia por um familiar meu que estivesse em coma vegetativo, mas acredito que cada um de nós deve decidir até que ponto a sua vida faz sentido, até que ponto é ou não digno para si mesmo, viver.
(Ramón Sampedro, a minha homenagem)





n said...

O que é uma morte digna? E indigna?
Como é que se morre sem dignidade?

Eu diria antes que todos temos o direito a VIVER com dignidade e há que fazer por isso, quanto a mim não passa por matar.

É indigno sofrer? (então mais vale matarmo-nos todos já)
Quando é que o sofrimento começa a ser indigno? Qual é a fronteira?


A morte não é um direito. Quanto muito poderá ser o fruto do (quanto a mim, mau) uso da nossa liberdade.
TODOS temos, em alguma medida, limitações naturais à nossa liberdade, já se sabe, não fazemos reivindicações por causa disso.
Estando uma pessoa em grande sofrimento é ÓBVIO que possa querer morrer. Mas terá a pessoa liberdade para desejar outra coisa? Com que liberdade faz a pessoa essa escolha?
Escolher morrer significa que se está com uma grande falta de liberdade e não, que se ganha a liberdade necessária (a que permitisse, por exemplo, fazer uma outra escolha). É uma fuga altamente condicionada, tal como o reflexo condicionado do cão de Pavlov. Não chamamos liberdade humana a um comportamento instintivo animal, pois não?

As condições de liberdade para mim existem quando uma pessoa se sente bem, nada a pressiona. Aí sim a pessoa pode escolher com mais, ou alguma liberdade. Em sofrimento e desespero nunca.


Há que apontar para o ideal e mais humano e para mim o ideal e mais humano é dar o maior apoio possível para que se possa VIVER com dignidade. Não é ir pelo caminho mais fácil, rápido e, já agora, barato.

A maior parte dos animais tendem a matar ou suicidar-se em situações de grande stress (fome ou pouco espaço) e antes de mais pertencemos ao reino animal. Por isso não condeno quem o deseja. No entanto prefiro uma solução humana, capaz de transcender o que temos de instinto animal.



iinês said...
N, é exactamente por tu teres a tua opinião, tão distinta da minha, que acredito que o debate deveria ser feito em Portugal, para que se pudesse referendar o assunto.
E é tambem por termos opiniões tão distintas, e outras tão variadas, que sou a favor da eutanásia: para que cada um siga a sua vida da forma que a vê, segundo o que acredita, e não no que os outros decidem por ele.
***
25/5/07 23:37


Pedro de Payalvo said...
A cada um sabe de si, e chateia-me que digam que quando alguém decide morrer que está a ser egoista...
porque não pensa em quem deixa cá, no mundo dos vivos... eu acho que é exactamente o contrário, quem cá fica é que é egoista, pelas razões inversas...
Há muitas razões para deixar a vida para trás, pode ser por uma profunda tristeza, por estar preso a uma cama, tetraplégico, estado vegetativo, ou outra qualquer... eu entendo-as todas, podem, em certos casos, ser decisões precipitadas, mas é uma escolha de cada um, e as nossas escolhas são a nossa liberdade... a nossa vida é nossa e sejam as nossas escolhas certas ou erradas, têm de ser sempre as nossas escolhas...
30/5/07 13:18




n said...

Inês:

"...para que cada um siga a sua vida..." Sim, mesmo com muito sofrimento, darei todo o meu apoio. (estás a ver que até estamos de acordo? :) )
E, se estiver ao meu alcance, farei o meu melhor para minorar esse sofrimento.
Nunca hei-de apoiar alguém que queira seguir a sua morte.


Quanto às escolhas:

Não é a escolha em si que me dá a liberdade. Se assim fosse poderíamos dizer que uma vítima de assalto, a quem é dito com uma faca ou pistola apontada “o dinheiro ou a vida”, seria nesse momento uma pessoa livre.
O facto de eu poder escolher não significa que seja livre.

E, se repararmos bem, a maior parte (ou a melhor parte) das coisas que cada pessoa tem na sua vida, aquilo que mais e melhor a identifica (a sua vida, a sua família, os seus vizinhos, o seu clube, a sua cultura, o seu país, o mundo e o universo, a vida), não foi ela que escolheu. Não considero isso falta de liberdade ou que, por causa disso, tenha menos dignidade.
Portanto o facto de não poder escolher também não é falta de liberdade.


A liberdade é muito mais uma forma de ESTAR ou de SER do que um objecto do qual nos possamos apropriar. Não se pode TER ou POSSUIR liberdade.

Uma pessoa tetraplégica, ou uma pessoa em estado vegetativo, ou qualquer outra pessoa fisicamente muito condicionada, não tem de facto liberdade de escolha em relação à sua condição (como nunca teve na sua vida, nem ninguém tem).

Contudo É livre de lidar com isso da forma que entender. Se ESTIVER com muita liberdade, muito desprendimento, (o que percebo que seja mesmo difícil - inclusive imagino que numa situação dessas o meu desejo será de morrer), poderá escolher viver, seja de que forma for. Isso para mim é de uma dignidade e coragem imensa, à qual eu só posso aspirar.

Lá porque alguém exerce um acto sobre mim, a meu pedido, não é um exercício da minha liberdade, mas da liberdade desse alguém.


Bjs

Ahh só mais uma coisinha. Debates sim, mas não acho que a razão para fazer referendos seja a mera existência de diferença de opiniões, assim teria que haver milhares de referendos, eheh.
E, “cada pessoa poder ter a sua opinião” não está em causa (não pode estar, porque não se consegue condicionar o pensamento de ninguém). O facto de a opinião ser minha (ou tua), portanto pessoal, também não impede que possa ser boa para mais pessoas, nem impede que seja A correcta.
Obviamente, ainda que eu esteja correcto (ou acredite nisso), em relação a alguma coisa que se passe na sociedade, e esta, na sua maioria, pense que estou incorrecto, prefiro uma sociedade em que MUITOS possam escolher UMA coisa (mesmo que às vezes mal) do que um regime em que UM possa escolher MUITAS coisas (mesmo que muitas vezes bem).
Se estiver sozinho, ou for minoria, e tiver a convicção que há um caminho melhor, resta-me a responsabilidade de dar testemunho desse caminho, provar que é de facto melhor.






https://www.blogger.com/comment.g?blogID=1539994167956153403&postID=2725679482260227212

sexta-feira, março 30, 2007

destruindo ou actualizando?

Um imaginário.

http://www.youtube.com/watch?v=c6SHsF1n9Qw

terça-feira, fevereiro 27, 2007

sobre o conhecimento de pessoas - no Faz Pensar...

"Conhecer II"

Eu já tinha escrito mais ou menos sobre isto.
A minha questão mantem-se: É possível conhecer MESMO uma pessoa? Não sei se é. Para dizer a verdade, não acho.Pode parecer, lá isso pode. Mas depois vimos a saber que de facto não conhecíamos bem. E isso não deixa de ser estranho. Passam segundos, passam horas, dias, anos, vidas. Passam momentos e confissões, descobertas, sorrisos, apoios. Mas... conhecemo-nos?Nem a mim conheço, quanto mais!
posted by Rita at
7:49 AM on Jul 05 2006



n said...
Parece que o problema é que no preciso momento em que estamos a investir no conhecimento (de nós próprios ou de outros) estamos também a mudar aquilo que somos e por isso será necessário outro conhecimento, um novo esforço de conhecimento. Somos mais do que a nossa consciência e não só isso. Somos algo maior que a nossa consciência e em constante interacção com o meio.
É possível conhecer uma pessoa, mas nunca de forma absoluta (como se passa em todas as coisas) ou definitiva, como se as pessoas fossem seres estáticos. Nem mesmo as coisas estáticas são passíveis de ser conhecidas de forma definitiva, já que o sujeito do conhecimento (cada um de nós) também está em mutação.
O teu Blog tem piada, vou andar por aí a lê-lo. Até já.
Monday, February 26, 2007 6:56:19 AM


http://www.blogger.com/comment.g?blogID=12484145&postID=115211099733861368

sobre o acaso - comentário (revisto e aumentado) - no Pela Estrada Fora

«Só o acaso pode ser interpretado como uma mensagem. O que acontece por necessidade, o que já era esperado e se repete todos os dias é perfeitamente mudo. Só o acaso fala. Nele é que deve tentar-se ler, como as ciganas fazem com as figuras deixadas no fundo de uma chávena pela borra de café.»(...)«O acaso tem destes sortilégios, a necessidade, não. Para um amor se tornar inesquecível é preciso que, desde o primeiro momento, os acasos se reúnam nele como os pássaros nos ombros de São Francisco de Assis.»Milan Kundera in A Insustentável leveza do serPrometo que um destes dias me prolongo nestes assuntos... e explico porque, para mim, estas linhas fazem todo o sentido...
posted by Rainha das cores at
12:44 AM on Feb 6, 2007


n said...
Gostei muito deste texto, mas ainda não sei muito bem como o articular com aquilo em que me toca.
É que para mim a criação de Deus é caótica. Deus cria/ proporciona o caos. Porque se existisse alguma ordem na matéria então significava que a sua criação, as suas criaturas não eram livres, que não tínhamos liberdade. Teríamos o destino definido e viveríamos cativos dessa lei de Deus. Cria o caos que é garantia de liberdade. Mas depois mandou-nos o Filho, que não interfere na liberdade (só acredita quem quer), tal como Deus-Pai também não interfere na liberdade porque não se evidencia (e também só acredita quem quer).
O Filho sim, é uma proposta de ordem, de edificação (contrário ao acaso), de amor. É por isso que gostei deste texto, porque é muito na existência do acaso (tanto nas coisas que considero boas como nas que considero más) que eu sinto a presença de Deus (de Deus-Pai), e do transcendente.
Para mim é no acaso que Deus-Pai Criador se revela
11:51 PM


https://www2.blogger.com/comment.g?blogID=7393234&postID=1974321464263308300

sábado, fevereiro 17, 2007

Ser mãe (pai) - no Planeta Sagrado

n said...
Olá :)
Para mim. Ser mãe (ou pai) é, mais que tudo, ser responsável.
É dar resposta, pelo que fazemos, pelo que nos pertence e, por vezes também, pelo que não nos pertence, como é o caso de um filho.

February 13, 2007 12:12 AM





11 FEVEREIRO

Podia ser um dia como os outros.
Mas é o dia em que os que quiserem (há sempre os que não querem coisa nenhuma) podem mostrar o que sentem. Sei que muitos crêem que o direito à vida está acima de todas as coisas (pergunto-me se serão esses, se será o Excelentíssimo Professor Doutor Arquitecto Engenheiro Bastonário Geólogo Bailarino Enólogo Astrónomo Fiscalista Meteorologista Bispo Marcelo e outros que tais da nossa paróquia, quem irão amamentar e educar as vidas que reclamam?).
Eu creio mais alto. Creio que um ser humano não é como uma planta. Que nasce e pronto.
Um ser humano mora na barriga-casa da mãe, nasce ao colo da sua esperança, cresce com o tamanho dos dias, torna-se mundo e, quem sabe, um dia, poema.
Ser um ser humano é, porventura, a maior viagem da nossa vida.
Num lugar que não este, um filho é um fruto.
Neste lugar, um filho é, muitas vezes, a certeza do abandono, do desamor, da pancadaria emocional, do abuso. E porque só o amor salva, eu só posso acreditar que nascemos do amor e não do medo.
Ser mãe não é destino. É vontade.
Por isso, eu só posso votar sim.
posted by inês leal, 31 anos à volta do sol at 12:31 AM on Feb 8, 2007





https://www2.blogger.com/comment.g?blogID=5150180458031060510&postID=4699085036094904817

domingo, fevereiro 11, 2007

Desilusão!

Já se sabem os resultados do referendo. Ganhou o Sim, estou muito desiludido e triste.
Acho que só teremos uma verdadeira democracia: quando aqueles que têm poder protegerem os que têm menos poder de todos, ou, os que não têm qualquer poder; quando, em vez de se despenalizar os abusos de poder (SEJA POR QUE RAZÃO FOR!), se lute para, que ninguém tenha desculpas para ser irresponsável, que todos tenham condições para ser responsáveis.
Neste referendo estavam em causas princípios e não casos específicos.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

O mais simples que consigo!

- Respondendo a 3 perguntas -

Se as células são ser humano, são ser humano a partir de quando?

A partir do momento em que o espermatozóide fecunda o óvulo, a fecundação.
Antes havia duas coisas diferentes, a partir daí passa a haver uma só entidade, um ser vivo, um in-divíduo, que não é cão nem gato, nem de qualquer outra espécie. Se é posta em causa a integridade de uma vida, o resultado é a morte.
A "única" diferença entre o que sou agora e esse momento depois da fecundação, resulta apenas da interacção com o meio.
Tal como a diferença entre aquilo que sou hoje e o que sou em qualquer outro momento da minha vida, no futuro ou no passado.


Deve ser uma mulher forçada a levar avante uma gravidez não desejada? A mãe faz o que quiser com o seu corpo. Se a sociedade quer impôr sanções, pode fazê-lo através de multas, para dezenas de pequenos delitos privados sobre a propriedade.

Acontece que um ser humano não é propriedade de ninguém. O ser que é concebido dentro da barriga da mãe, ainda que dependa dela, não lhe pertence. Os filhos não são propriedade dos pais. São da responsabilidade dos pais.
Essa dependência total que o feto tem da mãe, é o primeiro momento em que se pode manifestar o conceito de humanidade.
A humanidade, ou, ser humano, implica reciprocidade. Para sermos humanos TODOS dependemos de outros humanos, tal como o feto.
Considerar o feto, um igual, é humano. Considerar um feto outra coisa, é animalesco.



Cada mulher que aja de acordo com a sua consciência.

A consciência é uma coisa, cada um tem a sua, cada um que pense o que quiser. Os actos são outra coisa. Especialmente se implicam outros.
O que vai a referendo não é a consciência individual da mulher, mas sim a consciência colectiva da nossa sociedade, ao dizer se acha que o acto de abortar é ou não um mal contra um ser humano indefeso.
As dificuldades da mãe, da mulher grávida, a necessidade de ser apoiada, não são postas em causa, a menos que ela actue nesse sentido.
Vota-se neste referendo se achamos que a consciência colectiva deve compactuar com o facto de que uma gravidez pôr em causa a liberdade e felicidade de uma mulher. Se a gravidez põe isso em causa, a culpa não é do feto. O feto não é a causa dessa falta de liberdade e felicidade.
Os problemas acabam quando se resolvem as suas causas e não quando se anulam os seus sintomas.



Diz-se:

"A minha liberdade começa quando acaba a liberdade do outro." Mas nesta frase existe antagonia.


Mas também já ouvi:

"A minha liberdade começa quando começa a liberdade do outro." Nesta está presente a reciprocidade que define a humanidade.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Pensando alto no referendo sobre o aborto

Qual é o significado de ser/ estar vivo?

O ser é uma sucessão de estares.
Eu sou vivo, porque estou vivo agora, se não estivesse vivo agora seria um ser morto.
Basta ter-se estado vivo, mesmo que apenas por um instante, para ter sido um ser vivo.


O que é matar?

Matar é o acto que faz com que um ser deixe de estar vivo e consequentemente deixe de ser vivo.
Matar é mau, “apenas” porque a pessoa que for morta, deixa de poder estar viva (na forma como conhecemos a vida) no momento seguinte e daí em diante, para sempre.

Também se poderia dizer que é mau porque, em princípio, causa sofrimento.
Do bem estar à morte, em princípio, sente-se dor. A dor é consequência da reacção do organismo àquilo que o empurra para a morte. A dor é consequência da luta pela vida. Se soubéssemos que depois de determinada experiência nos íamos manter vivos, a dor seria menor. Só que nunca sabemos isso em absoluto e à partida.
Portanto a dor e o sofrimento estão ligados à morte. Só existem como reacção aprendida, durante toda a existência interiorizada da espécie, àquilo que nos pode fazer deixar de estar vivos.


Quanto vale a minha vida? A vida de uma pessoa?

1 Dia da minha vida hoje (que tenho 28 anos) tem o mesmo valor que 1 dia da minha vida como feto. Pois se me matassem hoje, eu não estaria vivo amanhã e, se me tivessem morto quando era feto, não estaria vivo amanhã na mesma, nem hoje. Um dia como feto foi tão importante como os 27 anos depois de ter nascido para poder estar aqui hoje. Ou seja, matar um adulto ou um feto, em termos da consequência que interessa – estar vivo – é igual.
Para estar vivo amanhã, um dia da minha vida hoje, não vale mais do que um dia da minha vida como feto.

O valor da vida de uma pessoa não varia conforme o desempenho da pessoa na vida.
Nenhuma vida se compara em termos de importância. A minha vida vale tanto como a de qualquer outra pessoa, em qualquer momento da sua vida.
O valor da vida não tem variações de quantidade nem de qualidade. É só sim ou não. Não há mais vida ou menos vida, mas sim, vida ou ausência de vida.
O valor da vida está na sua integridade e na sua unicidade. Cada pessoa ou está viva ou não e, estando viva, é única e insubstituível.

Logo 1 dia da minha vida (com 28 anos) é tão importante como 1 dia na vida de qualquer feto.

Logo fazer um aborto é matar, matar com a mesma gravidade com que se mata um adulto.

O que nos impede de ver a semelhança é, logo à partida, a falta de consciência deste raciocínio por parte de quem mata, que muito facilmente compreendemos porque se calhar nós próprios não o temos presente. Essa falta de consciência serve, também à partida, de forte atenuante para a maldade do acto. Disso falarei depois.
O acto em si é matar.


Qual o valor mais importante?

De todos os valores se pode tecer as mais diversas considerações. De nenhum podemos falar de forma absoluta. O que mais se pode aproximar do valor absoluto é a vida. Ou há ou não há. Não permite grande subjectividade. Enquanto da liberdade, da felicidade, do sofrimento (como até já falei em cima), podemos dizer as mais variadas coisas, além disso todos estes valores precisam de um sujeito vivo que os pratique. A vida, uma vida, não precisa. É o próprio sujeito.

Diz-se muito que não vale a pena viver sem liberdade, sem dignidade, ou sem amor. Mas só estando vivo é que essa situação pode mudar, pois esses valores não são definitivos, são dinâmicos. Tão dinâmicos que evoluíram ao longo da história. Enquanto estar vivo ou morto, em termos de definição não variou assim tanto (quanto muito aumentou o âmbito da vida: descobriram-se doenças que faziam parecer que uma pessoa estaria morta não estando; descobriu-se que a fecundação do ovo pelo espermatozóide era o princípio - e não quando a barriga da mãe começa a crescer ou quando não vem o período menstrual; “descobriu-se” que outros seres são vivos, tão vivos como os humanos; até se descobriu que há mais humanos do que se pensava), quando variou foi sempre no sentido positivo. Passou a haver mais vida, em geral, e mais vidas, em particular.

Porque estou numa péssima situação agora, não quer dizer que não volte a estar numa situação boa. Mesmo situações em que podemos entender, pela improbabilidade, que as pessoas chamem milagres, só podem acontecer se a pessoa estiver viva. Recuperações incríveis de comas que duram anos e que das quais já não se espera muito, por exemplo.

Há pessoas que têm muita capacidade de adaptação. O ser humano em geral tem muita capacidade de adaptação. Mais que as outras espécies, por isso se superiorizou nesse aspecto e controla melhor aquilo que determina a sua vida.

Em função do contexto em que se encontra na vida, a pessoa estabelece os critérios de felicidade, dignidade e liberdade. Aliás, é nesta situação que nos encontramos permanentemente. Somos livres? Podemos perguntar até que ponto.
Temos alguma liberdade.
O mesmo podemos perguntar em relação aos outros valores que tanto se preza. Até que ponto?
Sobre a vida bem podemos dizer. “Estou vivo.” Com todas as dúvidas existenciais que isso possa implicar, é algo que, pelo menos estando vivos, podemos dizer. Estando mortos, talvez se possa, depende da confirmação de cada crença.
Dizer “Estou vivo.” implicando dúvidas existenciais ou discussão, implicará, certamente, menos do que implica em cada um dos outros valores (Sou livre. Tenho uma vida digna. Sou feliz.).


Há quem parta do pressuposto miserabilista de que os pobres em dinheiro, em educação, em conforto, no que quer que seja, são mais infelizes, do que os que nesses aspectos da vida estão melhor. Acho perfeitamente normal ver-se pessoas mais solidárias e alegres entre aqueles que tiveram que enfrentar maiores dificuldades na vida do que entre as outras. Mas nisto não há regra. Nesse pressuposto há dois preconceitos em simultâneo: um é se de facto essas pessoas são ou não mais infelizes (não podemos julgar, nem sequer medir); o outro, vem logo a seguir, é se isso é razão para merecem menos viver.

Se se diz “quem somos nós para julgar uma mulher?” também se pode dizer “quem somos nós para julgar a qualidade de vida e capacidade que essa mulher tem” e “quem somos nós para dizer quais são os requisitos necessários para que alguém seja feliz?” “quem somos nós para dizer se uma vida vale ou não a pena ser vivida?”, não se está também a fazer um julgamento? Então porque é que num momento é lícito julgar e noutro já não é? Ainda para mais ao dizer que a situação não é propícia ao nascimento e crescimento de uma criança não estamos na mesma, além de julgar o potencial da criança, a fazer um julgamento sobre a vida e liberdade da mãe?
Em nenhuma das situações devemos julgar. Mas parece-me mais legítimo julgar (não a mulher, mas o acto que cometeu, que foi matar, fazendo a mulher tomar consciência daquilo que fez) do que tecer considerações comparativas entre vidas diferentes, abrir o precedente que há vidas mais valiosas que outras. Ou estados de evolução dentro de uma vida mais valiosos que outros. Que seria o mesmo que dizer, por exemplo, que a vida de uma criança tem uma importância diferente de um adulto ou de um idoso.


Consciência? Ou poder de decisão e concretização?

Ouve-se muito dizer que é uma questão de consciência, a consciência da mulher. Usa-se a palavra consciência, mas fala-se de outra coisa. Está se a falar no poder de decisão e na capacidade de levar avante essa decisão.

Consciência cada um tem a sua e não está em causa, porque não pode estar. A consciência habita no nosso pensamento, na nossa memória, ou seja, é intangível por outras pessoas que não sejam o sujeito desse pensamento e dessa consciência.
Ainda assim a consciência tem influência nas tomadas de decisão e, a seguir, nos actos.

Suponhamos então que sim, que era uma questão de consciência.
Com que consciência se encontra uma mulher quando decide fazer um aborto? Está em paz? Tranquila? A pensar com lucidez? Nas condições ideais para tomar uma decisão importante? Não estará na mesma situação que alguém que comete um crime por impulso porque se sente de alguma forma ameaçado? Alguém poria a sua vida nas mãos da consciência, poder e actos de alguém que está com medo ou preocupado com a sua vida?

O facto de a consciência ser minha, de ser pessoal, única e intransmissível, não significa que seja uma boa consciência, não significa que eu pense sempre bem. De facto essa qualidade que eu tenho (de pensar) é muito daquilo que me define e identifica, que faz com que o valor da minha vida não tenha preço nem seja comparável com a de outros.
O facto de a consciência ser minha, de ser pessoal, única e intransmissível não significa que não possa resultar em tomadas de decisão e actos que atentam contra a singularidade da consciência, da liberdade, da dignidade, da felicidade e da vida de outras pessoas.
Se assim fosse porque não dizer que roubar ou cometer qualquer outro crime ou mal também é uma questão de consciência? Aqui a consciência do criminoso já é má? Porquê?

O argumento que estou a falar, em que se usa o termo “consciência” baseia-se numa constatação da realidade. Está impregnado de pragmatismo:
“Independentemente das leis ou do que os outros pensem, a mulher vai cometer, se quiser, esse acto, o aborto.”
Mas é um pragmatismo parcial. TODA a gente age de acordo com a sua consciência, de acordo com o seu poder de decisão e toda a gente, se quiser, age contra a lei, não é só a mulher.
E depois diz-se: “Ao menos que o faça em condições de segurança.”. Porque não, pedir apoio policial, para ajudar um ladrão a assaltar uma casa, não vá ele levar um tiro do proprietário? De facto ninguém obriga ninguém a cometer crimes. Quem de acordo com a sua consciência insiste em fazê-lo, sujeita-se às consequências.

A mulher tem o poder de decisão e concretização. O feto não tem o poder de se defender, de se mostrar, não tem qualquer poder. A vida humana, não é, não deve ser, uma questão de poder. O valor da vida humana é o mesmo independentemente do poder que se tem.


Código penal

A pena, a penalização, não serve para salvar o feto. Há muitos males que são irreversíveis. A penalização serve, à priori, para que a mulher se pergunte porque é que há-de ser mal fazer um aborto. E serve, à posteriori, para fazer ver quem agiu mal, que de facto agiu mal.

O código penal não pode ser usado para impedir as mulheres de tomar a decisão de fazer um aborto. Não tem essa capacidade, como não tem a capacidade de impedir ninguém de cometer qualquer outro crime ou mal.
Há tantas pessoas que cometem crimes, fazem mal na sua vida, por estarem em situações precárias, em dificuldades, desespero, ignorância. Há sempre um contexto, ainda que por vezes não se compreenda e não esteja ao alcance, que explica as razões pelas quais o mal é feito. Por isso a pena não devia ser só para fazer ver que se procedeu mal, mas também para recuperar a pessoa. Se isso não tem acontecido, é lamentável, mas acontece de igual forma em relação a qualquer criminoso.
Mas porque há explicações e razões que justifiquem os crimes, não significa que se deixe de responsabilizar quem os comete. Se o estado não cumpre a sua responsabilidade de penalizar na perspectiva de recuperar e reintegrar os criminosos, então a sociedade tem que se mobilizar para que isso seja feito. Cada problema tem a sua solução. Ainda que saibamos que haverá sempre problemas, estaremos mais perto de haver menos se solucionarmos as suas causas, do que dando analgésicos para não os sentir. Quando sinto dor num braço, eu não vou cortar o braço por causa disso. Vou a um médico para que ele me diga a razão da dor e tentar contrariá-la, a razão, não o braço.
Não se resolvem os problemas com um remédio que não deixa sentir os sintomas.

Evoca-se a razão da despenalização “porque há muitos abortos clandestinos”. Se houvessem poucos? Já não seria necessária a despenalização? Já não havia um problema de saúde pública?
Porque há muitos desvios de fundos, muita corrupção, despenaliza-se o crime de roubo?
Um roubo, quanto a mim, é um crime menos grave do que um aborto. Primeiro porque nenhum bem material se compara com uma vida e segundo porque há por vezes possibilidade de ser reversível. A única diferença é que num roubo as coisas são mais visíveis e conscientes e ambos os lados se prenunciam.
A quantidade legitima o mal? Porque muitos fazem mal devemos legalizar? O mesmo em relação à comparação com os outros países, se todos se atirarem a um poço devemos ir atrás? Porque são mais evoluídos na maior parte das coisas significa que estão certos em tudo? Não são os portugueses considerados um dos povos mais hospitaleiros e afectuosos do mundo? Solidários com as diferenças, com o outro.

A penalização não é pelo facto de a mulher fazer o aborto clandestinamente, mas sim pelo facto de fazer o aborto, terminar com uma vida.

“Mantendo a lei que está, as mulheres ricas vão continuar a poder fazer abortos e as pobres recorrerão na mesma ao vão de escada.”
Como acontece em todos os crimes em geral e que, por causa disso, tão bem acha injusto o povo (porque o é) e diz “quem se lixa é o mexilhão”. Há que continuar a lutar para que não seja assim. Mas em todos os tipos de crimes. Não é específico do problema do aborto.


Atenuantes e hierarquia de penas

O princípio de actuação ao fazer um aborto, é mais grave que qualquer tipo de roubo (e até mais grave que abusos sexuais), pertence ao mesmo princípio do homicídio (involuntário, pelas razões que explico à frente), termina-se com uma vida. Muitas pessoas não têm noção disto, precisamente, porque o código penal tem um efeito eficaz de persuasão. Molda a consciência das pessoas em função das penas. Muitas pessoas acham que fazer um aborto não há de ser muito grave, porque sabem que a pena máxima prevista é só de 3 anos, já há bastante tempo. Enquanto que, há roubos, desvios e abusos cuja pena é muito maior. Ainda bem que assim é. Porque a lei e o código penal prevê atenuantes que são de facto aplicadas.

As atenuantes no caso do aborto estão quase sempre presentes, justificam-se em quase todos os casos e têm um impacto muito forte na pena final.

A primeira e mais decisiva é a falta de consciência cultural1 do valor “daquilo”2 que cresce dentro de si.
Muitas vezes não é só a ignorância de que o feto é um humano, mas também o próprio conceito que se tem de humanidade. Quando implicitamente se julga que há seres humanos mais valiosos que outros. A Madre Teresa e o Hitler são duas vidas com o mesmo valor só que realizaram actos com valores diferentes.
A mulher, para fazer o aborto, muito dificilmente vê (o que lhe permitiria tomar melhor consciência) o ser humano que mata.
1 - Há um sentido/ funcionamento instintivo biológico, mas, no caso do ser humano, a razão e a cultura – no sentido comportamental – para o mal e para o bem, pode sobrepôr-se ao instinto animal.
2 - Essa falta de consciência leva a coisificar o ser humano, pensa-se que ainda não é humano.

A segunda atenuante agrava muito, torna mais forte, a primeira. Ou seja, tem um efeito atenuante ainda maior. É a condição em que se encontra a mulher. O medo (tanto de problemas na sua vida como de não ser capaz de proporcionar felicidade ao filho) tem dois efeitos: um é inibir a lucidez de pensamento, outro, quando se extrema, é provocar reacções impulsivas e agressivas.
Foi essa a razão, então isso é levado em conta pelo código penal.

O código penal tem uma certa ordem consoante a gravidade dos crimes, levando em linha de conta as circunstâncias em que foram cometidos. Se o aborto tem uma pena pequena tendo presente que é uma morte, é por causa dessas circunstâncias, que também são levadas em conta em outros crimes, mas normalmente não têm tanto peso à partida.

O que não é aceitável, quanto a mim, é que fazer um aborto seja menos penalizável do que apanhar ovos de cegonha ou fazer downloads ilegais, cujas penas vão até 3 anos de prisão (são os exemplos mais chocantes que conheço).
Não é aceitável que não seja sequer ponderado e colocado na hierarquia de penalizações, o valor da vida que está invisível e silenciosamente dentro da barriga da mãe.


O falso dilema

Há um argumento usado para defender o Sim no referendo que induz a pensar que possa existir um dilema entre a vida da mãe e a vida do filho. Ou seja, pelo facto de as mães ao fazerem o aborto clandestino se arriscarem a morrer, extrapola-se e diz-se que é uma escolha que tem que se fazer à partida, ou a vida da mãe ou a vida do filho. Ficando a parecer a situação real, em que existe de facto o dilema, e se tem que escolher aquilo que garante mais vida. Só que neste caso esse dilema não existe, é fictício. Porque, à partida, não existem apenas essas duas opções, existe uma terceira, que é a de viverem as duas pessoas. Essa escolha sim, é a que garante mais vida.


Conclusão

Evoca-se a dignidade da mulher, que ela tenha condições de segurança, que não seja exposta. Mas há alguma dignidade em terminar com a vida de um filho?
Qualquer pessoa que esteja viva hoje e não esteja psicologicamente doente, se estivesse no lugar de um feto, se pudesse, diria à mãe. “Eu tirar-te-ia o peso desse sofrimento, sofrê-lo-ia eu em vez de ti, para poder viver.”

Se colocássemos os dois valores que estão em conflito, neste referendo, na mesma pessoa (se fosse dito: “Tens duas hipóteses agora: numa matamos-te já; na outra inflingimos-te uma data de sofrimentos durante uns 4 anos mas depois deixamos-te viver em paz”), essa pessoa, apesar das contrariedades/ dificuldades e sofrimento, preferiria viver. Se assim não fosse assistiríamos a suicídios em massa. Ou então seria sinal que o mundo ia muito bem.
Em alguns casos acredito que a pessoa escolhesse a morte: violação, agressões que causassem invalidez ou alguma deficiência permanente. Mas acho que muitas pessoas, ainda assim, escolheriam a vida. Porque há quem consiga, significa que é humanamente possível. Se é possível é importante saber como e porquê, para fazer tudo para proporcionar essa capacidade a mais pessoas, na sua formação. Se é possível, é importante dar todas as condições, o máximo de apoio a quem ache que não o consiga. Nestes casos, claramente, a responsabilidade é do estado, da sociedade, não só da mulher.

Pois, com mais ou menos intensidade, num ou noutro momento (não podemos medir nem comparar), é nessas condições que aceitamos a vida que temos todos os dias.
Dizer que uma vida, não vale uma gravidez, uma perda de emprego, uma vergonha que se passe, ou qualquer tipo de sofrimento, é dizer, então, que a vida não vale a pena.

A vida vale, absolutamente, a pena.








Por isto tudo vou votar Não no referendo.

Nicolau Pinto Coelho

sexta-feira, setembro 29, 2006

Post analógico ou Pré-blogues (13 de Janeiro de 2001)

Tenho a certeza que se a medida da passagem do tempo fosse o Bem (feito) - em vez dos segundos, minutos, horas e dias - haveria menos stress e mais paz no mundo.

segunda-feira, abril 24, 2006

Alegria do pessimismo

O pessimismo activo, para mim, é também uma forma de optimismo. É um optimismo tímido, que não se quer revelar, por modéstia, medo, ou mesmo orgulho ou preguiça.
Quem se dá ao trabalho de agoirar tão bem, com qualidade, só pode ser porque ama alguma coisa. (refiro-me por exemplo ao pessimista sem opção, cujos posts me deixam com um sorriso na cara).
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Sempre me impressionou a audácia de muitos cépticos, malandros ou supostas más pessoas e essa qualidade (audácia) tento aprender. Da mesma maneira que tento aproveitar a inteligência das minhas maldades para fazer alguma coisa de bom.
Estava aqui a pensar que, realmente, como humanos, somos mais inteligentes para o mal do que para o bem (deve ser porque para o bem maior, em cada momento, há uma solução, para o mal menor há todas as infinitas outras, qualquer solução serve).
Por isso não devemos ter medo de ter os inteligentes maus pensamentos, mas deitar fora as sequentes acções e ficar apenas com a sua inteligência, a sua mecânica/sintaxe/tipologia ou estrutura.
Pior é a indiferença ou apatia.
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O trabalho da crítica é fundamental para a evolução ou reforma das coisas, informa a compreensão dos fenómenos. Já é metade do trabalho e até é bastante a parte chata.
Portanto quem não gostar de ser optimista, que seja então, um pessimista militante.
Os optimistas fazem o resto e agradecem, eheheh.

sexta-feira, abril 14, 2006

The Kings of Convenience VS Sufjan Stevens - no Código de Barras

2006/04/11

The Kings of Convenience VS Sufjan Stevens

O meu voto para melhor banda vai para........e destas músicas a que mais gosto é..........;)Este duelo é difícil, para mim está a ser bastante complicado votar...acompanhado do meu voto há inúmeros factores que vão entrar em consideração...vou pensar mais um bocadinho:)Fico à espera dos vossos votos!
posted by Mojo Pin @ 12:54 PM
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(n:Aqui está uma coisa muito interessante para se fazer num blogue, comparações difíceis. Convém ir ao link em baixo para poder comparar as músicas)
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At 3:15 PM, n said...
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Ainda não conheço muito Sufjan Stevens, corro o risco de não estar a ser justo. Mas sempre que ouvi, pensei "isto parece Kings of Convenience". Mas vê-se (ouve-se) bem que não é. Dá mesmo a sensação e custa-me a crer que o Stevens não conheça e admire os Kings. O problema dele deve ser estar viciado na sonoridade dos Kings, como quando estamos viciados num qualquer sotaque ou expressão e não conseguimos deixar de usar (mesmo que não tenhamos a mesma graça dos que são fonte dessa expressão). É uma questão de originalidade e autenticidade. Os Kings são a origem, "the real thing", neste caso.
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É como comparar vinho do Porto do Douro com vinho do Porto feito na Califórnia ou na Austrália e África do Sul, o vinho destes sítios pode até sair, por vezes, de melhor qualidade, mas ...
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Estou a gostar muito do teu blog, parabéns e obrigado.
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A conhecer - No Optimista por Opção

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

A conhecer

Noutro dia tive a sorte de conseguir ver, ainda, numa sala de cinema, um filme do qual gostei muito, “O Fiel Jardineiro”.
O filme é a história de um casal que se conhece em circunstâncias um bocado platónicas, ou, também se pode dizer, “à filme” eheh.
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São acima de tudo pessoas com personalidades muito diferentes.
Ele é um inglês típico, muito contido, correcto, faz jardinagem e é diplomata de profissão, ela é completamente impulsiva, a roçar a temeridade, mas também com um grande sentido de missão e inconformidade.
Ambos vão para África, onde ele vai trabalhar. Ela não fica parada e, além da dedicação à população, investiga a actividade das grandes empresas farmacêuticas presentes no país. Para proteger o marido não lhe conta a sua actividade como “detective” e ele perante tantos segredos começa a desconfiar que outras coisas se passam. Enfim, ela acaba por ser assassinada e ele fica destroçado.
A partir daqui a história é o marido a querer saber o que se passou ao certo e a percorrer o mesmo percurso de investigação da mulher, até ele próprio acabar também morto (mas, neste caso, sabendo à partida que era isso que lhe ia acontecer).
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O enredo é um bocado complexo e confesso que houve alguns pormenores que me escaparam. De qualquer maneira, não foi o ponto de vista “policial” ou mesmo o escândalo das farmacêuticas e da realidade de alguns países africanos que mais me marcou (claro que também fiquei sensível a isso).
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O que achei impressionante neste filme foi a forma como evoluiu o carácter do marido até se tornar praticamente igual ao da mulher. A identificação completa entre as duas personalidades, mesmo depois da morte de uma, só possível através do conhecimento mais profundo que ele conseguiu ter dela com as investigações que foi fazendo. No fim, os dois eram um só.
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O filme a mim falou-me de conhecimento.
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O conhecimento é fundamental na relação entre duas pessoas. O conhecimento permite a aceitação (senão conhecemos não sabemos o que estamos a aceitar), a aceitação possibilita a partilha, a partilha o amor e com isto tudo temos a felicidade.
Neste caso a ênfase está no conhecimento racional, mas mesmo na atracção física, que lhes despoleta a relação, e que todos sentimos, de vez em quando, por alguém, existe um conhecimento, cujo sujeito não somos nós, mas algo maior que a nossa consciência, ou então, o saber de uma experiência anterior interiorizada, que é para mim a definição de intuição.
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sexta-feira, março 31, 2006

da poli e mono gamia - no neoplasia existencial

"Do amor, da fidelidade, da monogamia, da poligamia...#2"
1 Comment -

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Facto: a maior parte da população mundial não é monogâmica. Porque os grandes contribuidores para os terráquios, mormente a zona do Médio Oriente, Ásia e África, não veiculam essa obsessão pela monogamia.


Interpretação: a civilização Ocidental é que fez da monogamia um dispositivo de normalização comportamental, disparando pelos media mensagens irrealistas acerca do amor romântico, condenando as pessoazinhas a compararem as suas relações e "aspirações a "a um referencial inatingível (porque se trata de um mito).

Assistimos, por outro lado, a uma simplificação abusiva das nossas etiquetas: gostamos de amigos mas amar só amamos os namorados.

Ora, desculpem lá a falta de modéstia, mas o meu reportório emocional não se resume a dois tipos de resposta: amor e amizade. E só a conversão de amor em amizade (para explicar todos os outros, numerosos outros, de quem gostamos) é sintoma do espírito de normalização que acima expliquei.

Mais ainda: porque é que a ausência de monogamia é encarada como infidelidade? Se não somos - tendencialmente - monogâmicos, não estabeleceremos as nossas relações em expectativas irrealistas? E porque assumir o comportamento não-monogâmico como "traição" (se não houver mentira pelo meio)?

Não estarão as nossas concepções de amor romântico e de relacionamento comprometidas desde o início?E mais não digo até a G. pôr cá fora a tese...





n said:

Tudo bem, mas preferia que os meus pais não se tivessem separado, a minha vida tinha sido muito mais estável, bem como o meu interior.
Ainda menos piada acharia que tivesse sido por causa de outros "amores". Por muito boa pessoa que fosse a nova aquisição de qualquer um dos meus pais, não ia estar tão ligado a mim.
Além dos modelos de homem e mulher... (qual prevaleceria, de qual das mães? ou pais? se vivessemos assim numa comunidade poligâmica), além das combinações do dia-a-dia...

Se eu sou parecido com o meu pai (ou mãe), ao menos sei em quê, eheh. Porque é só um, sei de onde vem os exemplos que segui e consequentemente aquilo que sou. Só assim me posso demarcar e escolher, em que é que vou continuar parecido e em que é que vou ser diferente, porque fui conhecendo em profundidade o meu pai. Se tivesse mais que um era uma trapalhada, não era mais uma pessoa a conhecer, era mais uma pessoa e cada uma das relações (de intimidade) que essa pessoa estabelecesse com os outros membros da "família". Se no conhecimento de uma pessoa como o nosso pai já há tanta coisa que nos escapa, então muito mais turvo seria com mais outro pai. No fundo conhecer em profundidade cada um dos nossos pais permite conhecer em profundidade a nós próprios, coisa que eu acredito que toda a gente deseja.

Isto para dizer o quê? Que o amor monogâmico tem muitas virtudes. A maior delas é a profundidade (por ser mais simples) de relação que permite, a todos os níveis: de dedicação ao outro, de dedicação aos filhos, de dedicação à vida, o ir para além da nossa sexualidade (algo difícil de "domar"), porque essa já tem um porto seguro, e navegar pela vida e pela dádiva aos outros sem perder o norte.

Não se diz que podemos ter muitos amigos, mas amigos mesmo a sério cada pessoa só tem uma mão deles? Eu acho que é verdade, posso ter centenas de "amigos", mas amigos a sério que partilham muito da minha vida devem chegar os dedos de uma mão. Então uma pessoa que partilhe de tal maneira a minha vida e intimidade a ponto de confiar nela para partilhar a enorme responsabilidade de criar vida, um filho, não me espanta que encontre ou escolha apenas uma.

Vontade de dar umas curvas com outras pessoas, claro que sim, é natural, como é natural nos animais (que não deixámos de ser), mas não nos (humanos) ficámos por aí, realizamo-nos ou consolamo-nos (se encontrarmos a nossa "casa"/vocação na vida) no trabalho, na amizade, no desporto, no prazer intelectual, espiritual e social (sem nenhuma ordem em especial).

Extremando (ou talvez não), na vida tenho duas escolhas, ou sou especialista, ou sou generalista. Grosso modo, numa privilegio a qualidade, noutra a quantidade. Mas uma coisa é certa, não escolho nenhuma delas baseado no sexo, seria como escolher uma casa, para comprar, vendo apenas a porta (ou melhor vendo apenas a cama - a casa era mobilada, eheh), mas pior.

Obrigado pelo teu post, pelas questões que pões. Eu sou pouco criativo, às vezes, a questionar e, por isso, não tenho conscientes e presentes as coisas que sinto e que acredito.
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http://www.blogger.com/publish-comment.do?blogID=18567082&postID=114372021612163894&r=ok

segunda-feira, março 27, 2006

Sobre dieta ou outras abstinências - no Pela Estrada Fora


"Ajuste de teorias baratas"


.Dentro da lógica da dieta começar à segunda-feira, por esta hora já não deveria estar com amêndoas de chocolate (leia-se mini-ovos de chocolate com uma amendoazinha no interior) na mão (engloba mão, boca e estômago), não era? Ou para este efeito segunda-feira só começa a contar depois de dormir?.

posted by Rainha das cores at 3:55 PM on Mar 26 2006
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n said...

Qualquer vício existe porque pode. Porque no espaço em que o praticamos, deviamos estar a fazer aquilo que realmente mais gostamos e nos cumpre como pessoas.
De modo que viro a coisa ao contrário. Em vez de fazer uma qualquer "dieta", que normalmente põe uma carga de tabu/proibição que ainda apetece mais infringir, tento fazer uma "engorda" daquilo que me realiza.
Como dizia uma amiga minha "tudo a que damos atenção cresce".
Temos que perseguir o que é bom e não o que é mau.
Sabe tão bem chegar ao fim do dia e perceber que nesse dia nos esquecemos de algum vício. Em princípio é porque foi um daqueles dias... em cheio.
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Só conta depois de dormir, ehehe, mas antes de dormir convém planear aquilo que nos vai realizar no dia seguinte. E começar (e isto estou a aperceber-me agora - obrigado por fazeres pensar nestas coisas) com uma coisa que seja mesmo motivante, para o que vier a seguir (menos interessante) não se deixe de fazer pela inércia ou preguiça matinal.
(Descobri a pólvora!!! Vou deixar de falhar tanto nas manhãs, por onde começo a estragar o dia)
Obrigado Bjs.
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sábado, março 25, 2006

A "opção tenebrosa"

“Na busca do bom (que constitui o nosso compromisso racional com a vida) não basta dizer que podemos incorrer em erros ou insuficiências, ou que, por vezes, as circunstâncias conspiram contra vós: para que o ‘livre arbítrio’ não se limite a um piedoso ornamento temos que deixar aberta e efectiva a possibilidade do mau, não como uma contrariedade que nos esmaga, mas como algo preferido, como uma opção tenebrosa. É mau para o sujeito sofrer tropeções ou reveses, equivocar-se, sofrer a derrota perante forças superiores; mas como e por quê pode ser mau o próprio sujeito? Em que consiste não já o mau que nos acontece, mas a maldade que deliberadamente exercemos? Pode-se ser racionalmente mau tal como se deveria ser racionalmente bom? Se escolher o bom é afirmar e reforçar o que somos, exaltar a nossa condição na sua complexidade e ainda buscar-lhe novas possibilidades, a opção pelo mau suporá desmentir-nos, diminuir-nos e mutilar-nos voluntariamente, rebelar-nos contra o que somos e quem somos.”
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- Fernando Savater – in “A coragem de escolher”
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Estou a gostar imenso deste livro e gostei especialmente desta passagem, porque põe em palavras coisas em que acredito. O texto continua interessante, só parei aqui porque deu para parar, e para deixar um cheirinho, eheh.
Já li outras partes igualmente interessantes, mas só agora me ocorreu apontá-las.

sexta-feira, março 17, 2006

Ainda sobre o Match Point

Tens razão Salomé, não é um “Dogville”.
Porque o Dogville é revolucionário nos dois aspectos (para mim) mais importantes num filme, argumento e forma de transmissão do argumento.
Enquanto que o Match Point só é fora de série no argumento.
De certa forma é um argumento que explica o do Dogville. Agora, não consigo imaginar que o Woody Allen não tenha visto o Dogville. Quase de certeza que viu, ficou encantado, procurou (mesmo que de forma inconsciente ou mesmo que não tenha de todo visto o Dogville - o efeito é como se assim tivesse acontecido) e encontrou uma forma ainda mais limpa de explicar a inevitabilidade do acaso na vida.

Curiosamente, depois de me teres feito pensar melhor nisto e me ter lembrado também melhor do Dogville (que já vi há muito tempo), acho que os dois filmes têm duas coisas em comum:
1- o argumento (por pegarem no tema da moral) e 2- a forma como os realizadores nos colocam na pele do personagem principal.

1- Ambos os filmes estão muito relacionados com a moral:
No Match Point pelas razões que já referi no comentário ao “post” da Raínha das Cores. No Dogville, através da postura moralista dos habitantes daquela aldeia, da correcção moral da personagem principal, que no fim não aguenta e mata toda a gente. Ficando nós pensar se é moralmente justo (ou pelo menos aceitável) - tendo em conta a perversão e subtileza demoníaca daquela gente que acabamos por perceber que é gentalha – ou se é moralmente condenável - porque, afinal de contas, matar é dos piores crimes e com a elevação moral que supostamente a “Nicole” tinha, poder-se-ia esperar coerência até ao fim, especialmente, se ela (se bem me lembro) não precisava de o ter feito, podia ter simplesmente ido embora quando a foram buscar.

2 – Porque é que tanto um filme como o outro são perturbantes?
Porque em ambos o realizador nos faz simpatizar com o personagem principal até chegarmos a um grande nível de identificação e até mesmo de projecção. A certa altura, sem nos apercebermos, nós “somos” aqueles personagens, porque compreendemos as suas opções, o contexto em que foram tomadas e fazemos dessas opções decisões nossas.
A seguir, sem saber bem como, “vemo-nos” a cometer um crime horrendo ficando perturbados. Porque de repente percebemos que até nem foi um acto incoerente, apesar desse acto já ir para além daquilo que seria a nossa ética, ou não.... Varia conforme o filme e, claro, conforme as pessoas.
Obviamente, embora nos possamos sentir identificados com o personagem (dependendo da habilidade do realizador), não sentimos na sala de cinema, exactamente o mesmo que sentiria uma pessoa naquela situação. Podemos especular, mas não esquecer que “falar é fácil”.
Ficamos a pensar se seremos assassinos, se a nossa “bondade” é meramente circunstancial, se temos uma conduta, princípios ou se há contextos que tudo podem, tudo explicam.
Ou seja, colocamo-nos, como pessoas, completamente em causa, colocamos a possibilidade de sermos “divíduos” em vez de in-divíduos.

terça-feira, março 14, 2006

Sobre o Match Point - no "pela estrada fora"


"Match Point"
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- I don't think this is a good idea. You shouldn't have followed me here.- Do you feel guilty?- Do you?
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posted by Rainha das cores at 3:52 PM on Mar 13 2006
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n said...
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Já o vi. Saí da sala um bocado irritado (por ficar ligado afectivamente), mas hoje considero um dos melhores filmes já feitos, para a história.
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Para mim o melhor filme que vi até agora foi o Dogville, este não vai ficar muito atrás.
É um filme muito realista. Não por tentar contar uma história real, mas por expressar e comunicar muitíssimo bem determinadas realidades (ou uma realidade) da vida e natureza humana.
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É que, normalmente, os filmes costumam ter uma moral (da história). Este é capaz de ser o primeiro filme que vi (mas tb n sou especialista) que é amoral, tal como a realidade. Neste sentido, consegue, apesar de ser uma ficção, ser mais realista que muitos documentários ou reportagens, que têm a pretensão de ser neutros e apenas relatar os factos.
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É hiper-realista, explica a realidade melhor do que a própria realidade (de uma situação vivida ou testemunhada, por exemplo) o faria.
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Por isso é um excelente documentário sobre a vida.
1:16 AM


http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7393234&postID=114229392419641802





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sábado, março 11, 2006

momentos 9 de março 2006 - no "de 0 a 20"

Quinta-feira, Março 9

Momentos
Não vos irritam aquelas pessoas que vos dizem:
"Mas serias tão mais feliz se..." ou "Hás-de ser uma pessoa feliz quando..."
Será que elas não reparam que eu SOU feliz. Assim mesmo.
De 0 a 20: Ai ai...
posted by karu at
11:53 AM 2 comments
n said...
Concretamente essas frases, acho que nunca me disseram, mas disseram outras em que a ideia é a mesma. E a ideia é não estarmos a ser aceites como somos.A frase que eu oiço desse género é "não sejas assim".É dito com a maior das ligeirezas, mas tem a pior das gravidades. Não sejas assim??? Como se na altura em que estou a ser "assim" esteja num momento de perfeita lucidez e consciência e o ser assim ou assado é o fruto de uma escolha fácil e completamente caprichosa. O ser "assim" faz parte de uma história de vida, que ainda que possa ser conduzida como um superpetroleiro (sem viragens rápidas), não pode ser desprezada em qualquer contexto, especialmente em contextos de crise.Acho é dos mais graves actos (o do não reconhecimento, aceitação ou respeito pela individualidade/especificidade) que se pode ter com outra pessoa e dos mais subtis - as pessoas não têm noção. E é muito frequente, mesmo dentro do núcleo familiar mais próximo (se nem aqui somos aceites...). Mas a menos que queiramos fazer o mesmo erro com os outros, não podemos ficar irritados com as pessoas por causa disso. Há que separar o acto do actuante (ficar só irritado com o acto)e entender também o contexto em que as pessoas dizem esse tipo de coisas. A maior parte das vezes as pessoas só sabem falar de si próprias, por isso, a maior parte das críticas que ouvimos ou mesmo insultos e repáros, especialmente saídas desbocadas sem ponderação, são nada mais do que dirigidas, subconscientemente, à própria pessoa que as profere. Uma pessoa que consegue aceitar-se bem, o mais certo é que também aceite muito bem os outros e não diga esse tipo de coisas (pela negativa) pode sugerir caminhos novos, propostas, desafios, o que for, estará mais concentrada na solução, no futuro, do que na crítica sem saída.Estará muito mais interessada em participar comprometidamente na solução do que em apenas mandar um palpite (ou vários) e nem sequer se preocupar em me conhecer melhor ou ser parte da minha vida.É sintomático que as pessoas que pior nos conhecem são as mais capazes de mandar esse tipo de bocas, já repararam?Ou sentem a necessidade de dizer muitas coisas. Um bom amigo sabe bem quando falar e quando estar calado, quando agir ou estar parado.
Um bom amigo é como a nossa casa.
11/3/06 12:29